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Bem-vindas ao Reino de Gravenshyr,
onde tudo começou!

Eles passaram disso...

Então a porta pesada se abriu devagar. Ele estava ali. Alto, imponente, usando um casaco negro abotoado quase até o pescoço onde um laço o adornava com elegância. O cabelo levemente desgrenhado. Devia ter vindo de moto e sem capacete. Ele tinha aquele charme perigoso, o tipo que a mamãe chamaria de encrenca bem-vestida.

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E os olhos azuis e viciantes me observavam, quase sorriam. Aquele homem parecia me conhecer mais do que eu mesma.

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— Finalmente acordou, minha flor.

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— Ah! Você deve ser o tal lorde misterioso — minha voz soou fraca. — Pode me dizer que lugar é esse e qual a brincadeira da vez? O que eu perdi afinal?

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— No lugar de onde jamais deveria ter saído. No meu lar. Nosso lar — respondeu sem hesitar, se aproximando. — Mal posso acreditar, Isolde. Esperei muito por esse dia. — Tão fofo, se inclinou e beijou minha mão.

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— Esperou tanto que nem sabe o meu nome. Isobel, eu me chamo Isobel Ravelli, moço. E você quem é?

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— Também prefiro pensar que acabamos de nos conhecer — continuou segurando meus dedos, todo gentil, e enfim se apresentou: — Lorde D’Arcy, Adrian D’Arcy, médico e herdeiro de um terço das terras de Farrowgate. Você estará segura agora, meu amor. Não precisa fingir ser outra pessoa.

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Puxei meu braço, me livrando do seu contato. Levantei as saias para conseguir me afastar. Nunca vesti nada tão pesado. E aquele não era o único sinal de que algo estava muito errado. Aquele nome... Não era estranho. Talvez fosse de algum personagem dos livros que li.

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— Eu… só não entendi uma coisa. — O coração disparou. — Eu perseguia o Frederick, então por que vim parar aqui?

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Ele sorriu de leve, mas o olhar não tinha nada de brincadeira.

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— Não importa o caminho. Você clamou, eu atendi.

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Dei um passo para trás, por um segundo me senti doente e o chão faltou sob meus pés. A vertigem quase me derrubou.

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O lorde se apressou em me segurar. Nossos olhares e respiração se cruzaram.

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— Eu não te chamei nada, seu doido — afirmei, me afastando.

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— Chamou sim. Mesmo que não tenha consciência disso. — Ele tocou de leve o pingente preso ao meu pescoço.  — ​Estremeci com o toque suave. Adrian só queria desvirar a pedra preciosa. — E agora que a encontrei, Isolde, não vou deixá-la partir.

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Se não foi o calor da lareira que se intensificou, foi ele quem me fez arder.

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Eu precisava lembrar onde já tinha visto aquele rosto. Será que já ficamos em alguma balada? Seria algum aluno da faculdade?

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Fui até a janela e só então me dei conta de que lá fora não havia movimento, sequer barulho de carros, nem notificações de celulares, nem de nada que eu reconhecesse.

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Parecia mesmo que o meu mundo tinha ficado para trás. Ou seria à frente?

Para isso...

Atenção 
Confidencial +18

Nós nos lançamos no riacho frio, mas não bastou para acalmar os sentidos mais lascivos.

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​Afundei naquele vale de fogo, sem me importar que me incendiasse. Isobel choramingava, grunhia, mexia... Uivei igual a um lobo para as colinas quando nossos orgasmos vieram, com força, entre musgos e borboletas coloridas.

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O calor morno secava e arrepiava nossas peles. Não sentíamos o tempo passar.

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— Podíamos andar nus por toda parte desse lugar. Não tem viva alma por aqui. Que estranho — ela comentou assim que comecei a me vestir.

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— Por que estranha, minha querida? É uma propriedade particular. Quem ousaria desobedecer às minhas ordens?

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— Acredite, privacidade é algo quase impossível atualmente. O mundo está tão superpopuloso e conectado que parece que segredos não existem mais.

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— Isso é ruim ou bom para você? — perguntei, vendo-a jogar o vestido de qualquer jeito sobre o corpo, e mais nada.

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Ela se virou para que eu amarrasse o corpete nas suas costas.

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— Estar aqui? Com você? Nus? Ah, meu lorde querido, nada poderia ser melhor.

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— Então venha comigo. Vamos ao horto. Deve ter pomos da época, sempre há — convidei, terminando de ajeitar a calça.

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— Oba! Vamos ter salada de frutas de novo?

​​

Isobel era sensual, não importava o que fizesse ou dissesse. Vê-la degustar o sumo, passando a língua pelos pêssegos maduros, me fez colocá-la contra uma árvore, erguer suas saias e fazê-la minha, novamente, até as pernas dobrarem com o esforço. Tinha vontade de morar ali... dentro dela.

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— Isso é o que eu chamo de paz — murmurou, quando voltávamos de mãos dadas para a casa.

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— E eu de paraíso — respondi, admirando cada detalhe daquele rosto que o tempo não me ensinava a parar de amar. E eu nem queria.

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